A Presente Pesquisa Tem o Objetivo de Contribuir na Compreensão da Questão Social no Brasil. Iniciamos com o Reconhecimento Desse Tema Como Objeto de Intervenção do Serviço Social. Nosso Percurso Se Orienta a Partir Daquilo Que Entendemos Ser o Seu Delineamento Universal e Suas Categorias Gerais para em Seguida Adentrarmos nas Particularidades e com Isso Impor Maiores Determinações a Esse Fenômeno. Utilizamos o Racismo Estrutural e a Superexploração da Força de Trabalho Como Eixos Explicativos e Chave de Análise do Que Apontamos Serem os Entrelaços Que Constituem a Questão Social. São, Assim, Entendidos Como Intrinsecamente Relacionados com o Modo de Produção Capitalista em Geral e no Desenvolvimento Singular Que Apresenta o Capitalismo no Brasil. Atravessamos o Percurso Histórico (interregno do Pós-abolição Até a Década de 1930) Que Consideramos Crucial para Perceber as Relações Raciais na Conformação da Classe Trabalhadora, a Consolidação do Mercado de Trabalho Pressionado Pela Ideologia Racista, o Estado Enquanto Mediação Opressora e Organização das Lutas Sociais - em Certa Medida Protagonizada por Trabalhadores Negros - Que Vão Dar Contorno ao Que É Definido Como Questão Social. Utilizamos um Estudo de Caso das Obras do Porto do Rio (1904-1914) para Melhor Elucidar Esse Imbróglio. Ressaltamos a Necessidade de Adensar os Pressupostos Teórico-metodológicos Que Balizam a Questão Social a Partir do Entendimento da Dependência, Superexploração e Racismo Estrutural Como Categorias Centrais para Compreensão da Formação Econômico e Social do Brasil, o Que Fazemos Aqui com os Aportes Intelectuais de Ruy Mauro Marini, Mathias Seibel Luce e Clóvis Moura.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO · RJ · 2024
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Resumo Trata-se de estudo sobre o racismo estrutural na formação e na ocupação de trabalhadoras e trabalhadores negros atuando na atenção primária à saúde (APS) no município do Rio de Janeiro, a partir da experiência de médicas negras. Realizou-se um estudo qualitativo, utilizando grupo focal, conduzido em novembro de 2022. Utilizou-se o interacionismo simbólico como referência para a interpretação relacionada às situações que compõem as experiências/vivências a partir do racismo. Os achados foram reunidos em dois eixos: manifestação do racismo estrutural e institucional no âmbito do SUS; e como o racismo atravessa os processos de trabalho em saúde e suas repercussões. Os resultados revelam uma continuidade das implicações do racismo desde a formação de médicas negras até o trabalho na APS, tornando-se um obstáculo na reorganização do processo de trabalho na perspectiva territorial de atenção à saúde. As participantes identificam o racismo institucional e estrutural na negligência da gestão, na violência do território e na vacância de médicos nas equipes desses territórios, limitando a oferta de um cuidado adequado. É necessário desvelar e aprofundar a compreensão do caráter estrutural do racismo da organização do trabalho em saúde, tendo como imagem-objetivo a saúde como direito.
Ciência & Saúde Coletiva · 2024
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O Racismo Estrutural no Brasil Reflete-se Diretamente nas Instituições, Sejam Elas de Formação Social, Profissional ou Religiosa, e com a Escola Não É Diferente. a Formação e Atuação de Professores/as Também São Atravessadas Pelo Racismo Estrutural, Conceito Construído para Compreensão e Resistência do Pensamento Negro Global e Local. Portanto, uma Educação Antirracista e Voltada para as Relações Étnico-raciais É Imprescindível para a Concepção do Conhecimento e Vivência dos Indivíduos, para Que Possam Ser Capazes de Respeitar as Diferenças e Reconhecê-las Como Algo Fundamental para uma Boa Convivência em Comunidade. a Problemática da Pesquisa É Saber o Que os Professores/as Negros/as Têm a Dizer Sobre o Racismo Estrutural na Escola (educação e Processos de Ensino-aprendizagem), a Partir de Seus Olhares da Realidade em Que Atuam, Passando Pela Lei Federal 10.639/03, Até Chegar ao Projeto Político Pedagógico (ppp).utiliza-se Como Metodologia Entrevistas Semiabertas, com Gravações das Vozes de Professores/as Negros/as, Atendendo às Exigências do Comitê de Ética da Universidade Federal de Jataí. a Análise Levou em Consideração a Análise de Conteúdo Bardiniana, Que Foi Fundamental para Responder À Problemática e Atender aos Objetivos da Pesquisa. os Resultados Obtidos Foram Fundamentais Não Só para Compreender o Impossível ou Possível Silenciamento do Racismo Nesses Espaços, Mas Também para Se Pensar Soluções Cabíveis para Solucionar Tal Problema, Sobretudo Sobre o Viés da Responsabilidade Social das Pesquisas em Educação, Apontado nas Conclusões. com a Metodologia Empregada, Foi Possível Também Compreender Como São e Estão os Espaços, o Ensino e a Educação por Meio da Percepção de Docentes, as Dificuldades Que Encontram, Silenciando o Racismo, Porque Não Possuem Formação Que Permita a Percepção Evidente do Racismo Estrutural ou Pelo Menos Não Querem Enfrentá-lo. Identifica-se Também o Que Pensam e Como Agem Diante dos Atos de Racismo Que Presenciam no Cotidiano de Suas Práticas, Além de Presenciar Falas Que Negam Veementemente o Racismo, Não Só na Escola Como na Sociedade. o Texto, Sob uma Análise do Racismo Estrutural na Educação Escolar, Tece Ainda Reflexões Que Retratam a Implementação da Lei 10.639/03, em Que Professores/as a Efetivam/realizam com Sucesso; Já em Outros Casos, É Possível Perceber Que Não É Possível Dar Tão Certo Assim. nas Escolas em Que os Professores/as Entrevistados/as Atuam, São Exemplos de Não Efetivação da Referida Lei. no Caso, Trabalham Apenas o 20 de Novembro, e Quando Trabalham, Focam Somente Após a Chegada dos Negros em Terras Brasileiras Algo Recorrente nas Pesquisas Sobre a Temática, em Mais de Vinte Anos Sobre a Lei. nos Resultados, Encaminhando para as Considerações Finais da Pesquisa, Pode-se Apontar a Pouca Efetividade da Formação Continuada ao Longo Destes Mais de Vinte Anos da Lei E, por Consequência, Traz Novas Problemáticas para Serem Repensadas na Formação Inicial, nas Licenciaturas, Voltada para a Formação Antirracista de Futuros Professores. o Racismo Estrutural dos Espaços Educacionais É Alimentado Pelo Racismo Individual e Institucional, Dando-lhe Força para o Enraizamento e Proliferação. Contudo, Se Os/as Professores/as Não Tiverem uma Formação Sólida, Haverá a Continuação Deste Mal Social e Cultural de Negar, às Vezes Desver, Principalmente, Silenciar os Negros/as. nas Considerações Finais, Além do Já Indicado Sobre a Responsabilidade Social da Pesquisa, São Propostos Caminhos para Que Professores/as Negros/as e Estudantes Negros/as Possam Trilhar no Encontro da Melhor Saída, nos Espaços Escolares e no Chão da Sala de Aula, para o Combate e Não Silenciamento do Racismo Estrutural. um dos Pontos É Se Posicionar, Ocupar a Posição de Cidadão/cidadã Democrático/a e Buscar uma Educação e uma Escola Que Sejam Mais Que não Racistas, Mas Antirracistas, e Denunciar o Silenciamento das Práticas Racistas em Todos os Espaços
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JATAÍ · GO · 2024
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Resumo Objetivou-se refletir sobre o impacto do racismo estrutural na saúde dos adolescentes afrodescendentes brasileiros, considerando o contexto político e social do período pós-abolição, quando foi iniciada uma nova configuração de exploração e manutenção das desigualdades sociais relacionadas aos escravizados libertos e seus descendentes. É na adolescência, fase da vida ligada ao contexto social e cultural, e não apenas determinada pelo período cronológico da vida, quando geralmente o indivíduo negro começa a vivenciar de modo mais consciente o estigma da raça. Este ensaio, inicialmente, apresenta o percurso histórico da construção social da raça nos padrões de dominação e o racismo. Em seguida, reflete, balizado no racismo estrutural, sobre o papel do capitalismo monopolista no desenvolvimento e crescimento econômico do Brasil pós-abolicionista, como um dos principais mecanismos de recrutamento e manutenção da população negra nas classes sociais inferiores e marginalizadas. Por fim, discute como o racismo impacta a saúde dos adolescentes afrodescendentes brasileiros a partir da teoria ecossocial, proposta por Nancy Krieger, e de bibliografia representativa. O racismo estrutural em nossa sociedade impacta na saúde dos adolescentes negros, com forte determinação no processo de saúde-doença. Por isso, é preciso combater as disparidades históricas, no sentido de se construir uma sociedade mais democrática e igualitária.
Physis: Revista de Saúde Coletiva · 2024
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Este Trabalho Almeja Juntar-se às Pesquisas Que Têm Buscado Refletir Sobre a Operacionalização da Saúde na Atenção Primária À Saúde (aps) do Sistema Único de Saúde (sus) e as Interseccionalidades Construídas a Partir das Relações Raciais na Sociedade Brasileira. Tendo em Vista as Pesquisas Já Existentes, Discorre Ainda Sobre o Distanciamento de Pessoas Negras dos Serviços de Saúde, Que Será um dos Desafios Analisados Neste Trabalho. Nesse Sentido, a Presente Pesquisa Apresenta uma Revisão Narrativa do Racismo Estrutural no Brasil e Sua Relação com o Acesso À Saúde para Promoção e Prevenção. Tem Como Objetivo Geral, Narrar as Intersecções de Raça no Acesso À Aps no Sus. a Pesquisa Fundamenta-se nas Contribuições do Pensamento Decolonial, Interseccionalidade Negra e dos Estudos Críticos Sobre a Saúde Pública no Âmbito da Prevenção e Promoção. Como Revisão Narrativa, Contou com Estudo Bibliográfico. a Revisão Descortinou e Reafirmou Desigualdades Permeadas Pelo Racismo Estrutural, Pontuando a Relevância de uma Nova Concepção ao Direcionamento para a Estruturação de um Atendimento em Saúde Acessível para Todas as Pessoas.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS · MG · 2024
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RESUMO A partir de referenciais do feminismo negro, da perspectiva interseccional e dos estudos étnicoraciais no Brasil, problematizam-se o racismo e o sexismo na academia brasileira com base na caracterização e análise da presença/ausência de professoras negras em programas de pós-graduação em ciências da saúde de duas universidades federais fluminenses, UFRJ e UFF. Utilizando informações de sites de 31 Programas de Pós-Graduação (PPG), reconstruíram-se quantitativamente os perfis de gênero e étnico-raciais por universidade e área de avaliação. Identificaram-se 23 professoras negras que ocupam 26 vagas docentes nos PPG analisados. Com base em informações da Plataforma Lattes, também se abordou longitudinalmente a dimensão de estudo. Os resultados assinalam que a presença de professoras negras é de 2% na UFRJ e de 6% na UFF; que ela é maior em áreas relativas aos cuidados e ínfima em áreas de maior prestígio científico e socioeconômico, como medicina. Constata-se o racismo como principal sistema de poder, operando no contexto institucional e disciplinar. Neste último, associado ao sexismo que determina as hierarquias de gênero nas áreas de saúde. Observa-se, também, que as desigualdades de raça se sobrepõem às de gênero no contexto desta pesquisa, confirmando as teses que apontam o epistemicídio dos saberes negros.
Saúde em Debate · 2021
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Essa Dissertação Visa Estudar o Conjunto de Práticas Institucionalizadas no Ambiente Organizacional de Empresas Estatais, em Especial do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/a Ipt, uma Sociedade de Economia Mista Vinculada ao Governo do Estado de São Paulo e Que Servirá Como Ponto de Referência para o Exame das Políticas Internas e Institucionais Adotadas por Esse, Como Instrumento de Mediação para Fomentar a Prática Antirracista. Como o Racismo Estrutural É uma Forma Sistêmica e Profunda de Discriminação Que Afeta a Vida dos Negros em Vários Aspectos, Apresentando-se em Práticas e Políticas Discriminatórias Que São Incorporadas nas Estruturas Sociais e Econômicas da Sociedade, as Quais Muitas Vezes Atuam de Forma Sutil e Que Resultam na Manutenção de Desigualdade e Exclusão. no Âmbito Metodológico, a Pesquisa Adotou uma Abordagem Hipotéticodedutiva, Sendo Exploratória e Fundamentada em Revisão Bibliográfica, Abordando Questionamentos Cruciais Sobre Políticas Públicas Contra a Discriminação Racial e a Implementação de Ações Afirmativas para Promover Práticas Antirracistas. Dada a Natureza Social da Temática, a Análise e Discussão Integrarão Diferentes Disciplinas, Tais Como: as Ciências Jurídicas, Históricas, Econômicas e Sociológicas. Dados Provenientes de Veículos de Comunicação, Documentos e Relatórios Empresariais Serão Utilizados para Compor o Diagnóstico. o Referencial Teórico Desta Pesquisa Se Baseia nos Ensinamentos da Ativista Negra Lélia Gonzalez, Que Reformulou a Prática Teórica do Movimento Social Negro no Brasil nas Décadas de 70 e 80, e nas Contribuições de Silvio Luiz de Almeida, Que Aprofunda a Discussão Sobre Raça, Racismo e Preconceito, Refletindo Sobre Como o Racismo Está Arraigado na Sociedade Contemporânea, com Ligações Inseparáveis À Branquitude, Refletindo em Diversos Contextos, Incluindo o Organizacional. Tendo em Vista Que, em Tese, a Prática Racista Não Poderia Acontecer em Empresas Estatais, Eis Que o Processo de Admissão É Feito por Meio de Concurso Público, com a Aplicação da Lei de Cotas Raciais no Serviço Público (lei Nº 12.990/2014), Bem Como o Processo de Promoção Deve Observar o Plano de Cargos e Salários, Aprovado Pela Administração Pública. Sob Esse Aspecto, Embora o Governo Paulista Seja Bastante Atuante na Promoção de Políticas Públicas de Cunho Antirracista, por Meio da Edição de Diversas Normas Que Visam Coibir a Perpetuação do Racismo no Estado de São Paulo, Tais Ações Ainda Não São Efetivas para Equalizar as Distorções Existentes Entre o Número de Brancos e Negros Ocupantes dos Cargos Disponibilizados nas Empresas Estatais. Compreendemos Que Tanto o Estado Quanto as Organizações Empresariais Desempenham um Papel Crucial na Formulação e Implementação de Políticas Públicas Antirracistas. Essas Políticas Devem Orientar a Interseção Entre os Direitos Humanos e o Direito Econômico, por Meio de Arranjos Institucionais de Natureza Jurídico-administrativa. Esses Arranjos Devem Viabilizar a Incorporação de Medidas Antidiscriminatórias Pragmáticas, Incluindo Critérios Eficazes na Governança de Empresas Estatais. Internamente, É Essencial Que as Empresas Estatais Assumam um Compromisso Significativo com Essa Agenda. Isso Implica a Adoção de Políticas Internas Que Não Apenas Valorizem a Diversidade, Mas Também Fomentem a Igualdade de Oportunidades Entre Seus Colaboradores.
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE · SP · 2024
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Resumo A intersecção entre raça, classe social, pertencimento territorial e perfil etário tem sido determinante na produção dos critérios de suspeição na prática policial brasileira. Jovens negros, pobres e moradores de favelas configuram o público alvo das abordagens policiais. Propõe-se, neste artigo, apresentar os resultados do estudo que explorou experiências e percepções de jovens negros(as) pertencentes a bairros socialmente vulneráveis e/ou com altos índices de violência nas cidades de Salvador, Recife e Fortaleza, relacionadas com abordagem policial. A pesquisa foi guiada pelas seguintes questões: como jovens negros vivenciam e (re)significam a relação com a polícia e, mais especificamente, a abordagem policial? Em que medida marcadores de pertencimento social, tais como perfil racial, classe e território, influenciam no processo de abordagem? Foi realizado um estudo qualitativo através de grupos focais, rodas de conversa e entrevistas semiestruturadas com jovens negro(as) de 15 a 29 anos, moradores de bairros periféricos das três capitais referidas. Os dados revelaram que a segregação racial e o racismo, presentes na estrutura e dinâmicas relacionais da sociedade brasileira, assim como sua negação e/ou certa naturalização, influenciam a “tomada de decisão” e o modo de atuar da polícia frente à juventude negra nas três capitais investigadas.
Saúde e Sociedade · 2020
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As Doenças Tropicais Negligenciadas (dtns) São Enfermidades Infecciosas Que Afetam Sobretudo, Populações em Regiões Tropicais, Caracterizadas Pela Pobreza e Falta de Infraestrutura Sanitária. Objetivo: Analisar o Impacto das Dtns na População Negra com Foco nos Determinantes Sociais da Saúde Que Amplificam Sua Vulnerabilidade a Essas Enfermidades. Material e Métodos: Trata-se de um Estudo Epidemiológico do Tipo Ecológico, Foram Analisados os Óbitos Associados a 17 Dnts no Brasil Entre 2012 e 2022, Abrangendo 27 Unidades Federativas e 5 Macroregiões. os Dados Foram Extraídos do Sistema de Informação Sobre Mortalidade (sim) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (datasus) Considerando Variáveis Como Cid-10, Ano e Mês do Óbito, Macrorregião, Unidade Federativa, Sexo, Grupo Etário e Raça/cor. as Taxas de Mortalidade Foram Calculadas com Base no Censo 2022 do Ibge. Análises Descritivas Usaram Frequências Absolutas, Percentuais e Médias com Desvio Padrão. o Teste Quiquadrado Avaliou Associações e Frequências Entre Faixa Etária, Raça/cor, e a Análise de Correspondência Gerou Mapas Perceptuais. o Nível de Significância Adotado Foi de 5% com Análises Realizadas no Software Jamovi. Resultados: Entre 2012 e 2022, Foram Registrados 63.371 Óbitos por Dtns no Brasil, com a Doença de Chagas Sendo a Principal Causa (48.205 Óbitos), Seguida Pela Esquistossomose (5.248) e Dengue (3.975). Não Houve Registros de Óbitos por Úlcera de Buruli, Fasciolose, Oncocercose, Tracoma e Bouba. a Maioria das Vítimas Era do Sexo Masculino (54,5%) e Tinha 60 Anos ou Mais (71,2%). em Relação À Raça/cor, 44,4% Eram Pardos, 37% Brancos e 11,6% Pretos. Observou-se Que Pessoas Pardas e Pretas Faleceram em Idades Mais Jovens, Enquanto a Maioria dos Brancos Morreu com 60 Anos ou Mais. Conclusão: a População Negra, Embora Compartilhe o Mesmo Espaço e Tenha Demandas de Saúde Semelhantes às da População Branca, Enfrenta uma Mortalidade Precoce Associada a Doenças Negligenciadas Tropicais.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA · MG · 2024
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A incidência e mortalidade por COVID-19 em países com fortes desigualdades sociais se diferenciam em termos populacionais. Em países com histórico e tradição colonial como o Brasil, os marcadores sociais das diferenças têm profunda ancoragem na demarcação racial, sobre a qual agem as dinâmicas e os processos político-sociais fundados no racismo estrutural. Contrapõe-se a narrativas que propõem uma leitura sobre ser esta uma pandemia democrática, cujo argumento se alinha à retórica da democracia racial que corresponde a uma potente estratégia de manutenção do lugar de populações racializadas, como indígenas e negros, uma produção da colonialidade moderna. Este ensaio debruça sobre o comportamento da pandemia em relação à população negra no Brasil, em diálogo com aportes decoloniais e de leituras críticas sobre o racismo. Discutem-se respostas governamentais e indicadores da doença, segundo o quesito raça/cor, demonstrando a manutenção de tramas e enredos históricos que seguem vulnerabilizando e inviabilizando vidas negras. Aponta-se também para a importância de movimentos de resistência locais, operados a partir do lugar que esses sujeitos ocupam, os espaços urbanos precarizados por ação/omissão do Estado - as favelas.
Cadernos de Saúde Pública · 2020
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